Portal de Turismo do ES

Identidade e Universalidade – Histórico o artesanato capixaba reflete um conjunto de tradições que emerge de nosso passado colonial

0 97

Artefato é um elemento de cultura material que concentra e sintetiza a representação de um sistema cultural. Ele é histórico, na medida em que registra um momento específico da técnica empregada por uma comunidade para a manipulação de matérias-primas; por outro lado, torna-se trans-histórico quando ultrapassa seus condicionamentos materiais e permite a formação de novos sentidos na ação produtiva.

HISTÓRICO – O artesanato capixaba reflete um conjunto de tradições que emerge de nosso passado colonial para dar voz cada vez mais contemporânea ao povo que representa. Mesmo que não perceba de forma clara, o artesão deixa as marcas da sua cultura nos objetos que executa. O trabalho manual produz uma das representações mais características do Estado do Espírito Santo e forma uma herança de várias gerações, compondo um mosaico de várias culturas. A seleção dos objetos deste catálogo abrange as oito Regiões Culturais do Espírito Santo e varia conforme a representatividade de cada uma delas. Além de seu interesse como manifestação cultural, a atividade artesanal vem ganhando um surpreendente espaço também como forma de produção econômica, geralmente desenvolvida em ambiente doméstico e na maioria das vezes envolvendo membros da mesma família. O artesanato tradicional é, quase sempre, identificado como uma prática das populações à margem das zonas urbanas. Nas últimas décadas, contudo, os representantes dessas culturas trouxeram para as cidades algumas destas manifestações. As técnicas artesanais ajudam a retratar a vida cultural de um povo. Sua evolução, antes praticamente imperceptível, sofre os efeitos da massificação cultural e da despersonalização. Por isso, as manifestações artesanais contemporâneas tendem a não se identificar com as culturas regionais; trata-se de um aprendizado pedagógico que não tem obrigatoriamente a função de preservar as características das tradições locais. O artesanato capixaba compreende a cultura indígena, a negra, a portuguesa e, mais tarde, a partir do século XIX, a dos imigrantes europeus, principalmente alemães, italianos poloneses, pomeranos e sírio-libaneses: essa miríade de etnias não pode ser confundida com a mera reprodução mecânica.

Tradições Populares

A fonte mais básica do artesanato do Espírito Santo é sem dúvida aquela que deriva da expressão indígena; ainda hoje seus traços são encontrados na cerâmica de uso doméstico, nas cestarias, nas esteiras de taboa, em utensílios de caça e pesca, em instrumentos musicais e em mais uma infinidade de objetos que, de alguma forma, deixaram suas marcas na cultura do povo capixaba. Esse artesanato nativo do Espírito Santo remonta a 500 a.C. e, segundo a maior parte dos etnólogos, suas técnicas originaram-se principalmente de três tribos: os Tupi-Guarani, os Aratu e os Una. Em Vitória, ainda hoje, é possível encontrar a cerâmica utilitária das mais representativas da cultura capixaba, de origem Una: as famosas panelas de barro de Goiabeiras. A técnica de elaboração dessas panelas é das mais primitivas e faz parte do dia-a-dia da cozinha de todos os capixabas. É a marca cultural do artesanato capixaba mais difundida no Brasil. O processo de confecção passou dos índios para os escravos africanos, trazendo até nossos dias um colorido e uma feição toda especial à culinária capixaba.

“Diz um ditado que o primeiro artesão foi Deus, que fez o homem do barro. As paneleiras de Goiabeiras, bairro de Vitória E.S., mantêm viva essa linha de produção derivada das mãos divinas” (Mão e Obra: Artesanato no Espírito Santo, Renato Pacheco, Luiz Guilherme Santo Neves e Humberto Capai. Vitória: SEBRAE E.S. 2001).

 

Comentários
Loading...